Oito em cada dez empresas industriais que enfrentaram dificuldades para obter crédito apontam os juros elevados como o principal obstáculo para consegui-lo. É o que mostra pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
Segundo a pesquisa, 80% dos empresários que afirmaram ter dificuldade na obtenção de crédito de curto ou médio prazo apontam os juros altos como o maior entrave para o financiamento. Em seguida, aparecem as exigências de garantias reais, como bens móveis ou imóveis, com 32% de assinalações, e a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas, com 17%.
Os problemas se repetem quando o assunto é a busca por crédito de longo prazo (acima de cinco anos). Os juros altos foram citados por 71% dos empresários, enquanto a exigência de garantias reais e a falta de linhas adequadas às necessidades das empresas foram assinaladas por, respectivamente, 31% e 17% dos industriais.
“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”, avalia Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Selic alta freou busca por crédito
Mais da metade (54%) das empresas não buscou contratar ou renovar crédito de longo prazo, enquanto 49% não foram atrás de crédito de curto ou médio prazo no mesmo período. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo, percentual que cai para 17% em relação ao crédito de longo prazo.
No recorte por porte de empresa, o percentual de frustração na obtenção de crédito de longo prazo chegou a 43% entre as médias indústrias, seguidas pelas pequenas (37%) e pelas grandes (27%). Na procura por crédito de curto ou médio prazo, a frustração atingiu 26% das médias empresas, 21% das pequenas e 16% das grandes.