Estratégias que possam melhorar o índice de competitividade do Rio Grande do Sul e da Serra Gaúcha, assim como os gargalos que atrasam o desenvolvimento do estado, estiveram no cento dos debates do Fórum de Competitividade, encontro realizado em Caxias do Sul, na manhã de quinta-feira, 28 de agosto.
A CIC Garibaldi participou do evento, promovido pelo Transforma RS e CIC Caxias. A programação contou com a participação de lideranças no cenário econômico e político, entre elas, o governador Eduardo Leite, os empresários Daniel Randon, Clóvis Tramontina, Neco Argenta, Ruben Bisi e Mauro Bellini, o presidente do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, e os secretários da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, e do Desenvolvimento Econômico do RS, Ernani Polo, entre outros.
Leite destacou os avanços que o RS alcançou nos últimos anos, porém lembrou que ainda enfrenta desafios com o déficit fiscal e comprometimento do poder de investimentos próprios. “Nosso ritmo de investimentos e avanço na competitividade depende do avanço das concessões e parceria com a iniciativa privada”, afirmou o governador.
Na ocasião, o secretário de Parcerias do RS, Pedro Capeluppi anunciou que vai ser efetivado o reequilíbrio de contrato com a CSG, em face às obras de resiliência devido às enchentes, com aporte do Estado, sem incidir no valor da tarifa. Isso vai destravar o cronograma e o início das obras de duplicação da RSC 453, entre Garibaldi e Farroupilha. O governador confirmou a informação de que serão injetados cerca de R$ 250 milhões para investir em obras não previstas no contrato em áreas atingidas por deslizamentos.
Randon demonstrou preocupação com a reforma tributária, já que o novo modelo deverá encarecer a matéria-prima da indústria metal-mecânica e outros setores. Segundo ele, juntamente com a precária logística do estado, este fator impacta diretamente no protagonismo do RS na competitividade nacional.
Tramontina comparou o Rio Grande do Sul com Santa Catarina na área de infraestrutura e afirmou que se o RS era considerado um dos melhores e mais politizados do país, hoje é um dos mais atrasados. “Eu sou um otimista, mas não está fácil continuar acreditando”, salientou.
O presidente do BRDE disse que em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil, existem estradas concedidas, que são duplicadas e em condições perfeitas. “Aqui no Rio Grande do Sul, só conseguimos conceder um bloco. Por que? Porque há um bando de caranguejos e por isso andamos para trás. Se não destravar a questão das rodovias e da logística, não seremos competitivos”, enfatizou o ex-governador Ranolfo.
A metáfora do caranguejo também foi citada por Bellini. Segundo ele, “antigamente se dizia que quando se colocavam vários caranguejos em água quente eles pulavam da panela, por isso foi criada a tampa. Mas aqui não é preciso tampar, porque quando um caranguejo tentar sair da panela o outro puxa ela de volta e todos acabam cozidos”.
Argenta salientou que a situação que o RS vive é resultado do que semeou ao longo dos últimos 30 anos, ficando parado e perdendo espaço para outras unidades da federação. “Há 40 anos as estradas de São Paulo eram duplicadas e privatizadas. Aqui sempre houve oposição a pedágios e por isso vivemos em um colapso logístico. Não é mais admissível não ter uma rodovia duplicada entre a Serra e Porto Alegre. Não se pode mais esperar cinco anos, isso deve ser feito em dois anos”.