NOTÍCIAS

Entidades reagem à aprovação da PEC do fim da 6 x 1

Entidades representativas do setor produtivo criticaram a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a mudança poderá elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocar um aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) questionou a aprovação da medida em meio à disputa presidencial e alertou para possíveis impactos sobre serviços essenciais e despesas das famílias.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, afirmou que a aprovação da PEC pegou o setor industrial de surpresa. O dirigente afirmou que não acreditava que a PEC seria aprovada neste momento, em meio à disputa presidencial. Ele também criticou as circunstâncias “eleitoreiras” da proposta.

“Nós estamos meio tontos ainda, levamos uma pancada muito forte. E temos que agora que nos recuperar e pensar. Não tínhamos uma estratégia para isso. Agora nós temos que pensar e ver como fazer. Tem que ter muito diálogo com os sindicatos dos trabalhadores”, disse Bier em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.

Em nota, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que sempre defendeu que a discussão ocorresse fora do calendário eleitoral, para evitar que a proposta se transformasse em uma “PEC Boca de Urna”. “É importante relembrar que nenhum país no mundo engessou a escala de trabalho na sua Constituição. Decisões açodadas têm um preço alto. E, infelizmente, essa conta será paga por toda a sociedade”, afirmou.

A CNI classificou a aprovação como preocupante e disse que a medida poderá provocar perdas econômicas, demissões, repasse de custos aos consumidores e inflação em todo o País. A entidade também considerou a mudança um retrocesso e criticou a falta de discussão mais ampla com a sociedade.

“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, também criticou a aprovação da PEC do fim da 6 X 1, declarando que a conta da medida não ficará restrita ao setor produtivo. “Sem aumento de produtividade, reduzir a jornada mantendo integralmente os salários significa aumentar o custo da hora trabalhada. Isso pressiona as empresas, reduz a competitividade e acaba chegando ao cidadão por meio de produtos e serviços mais caros. Não podemos tomar uma decisão dessa magnitude ignorando seus efeitos sobre emprego, renda e crescimento do país”, afirmou Roscoe.

Já a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) declarou em nota que fará propostas que garantam segurança jurídica a setores com escalas negociadas e a atividades de operação contínua, e que seguirá monitorando os efeitos da nova regra. “Para a Firjan, a modernização das relações trabalhistas é legítima, mas precisa considerar também a sustentabilidade das empresas, a segurança jurídica e a competitividade das atividades produtivas”, disse a entidade.

Foto: Dudu Leal/Fiergs

Compartilhe

Últimas notícias

A CIC GARIBALDI utiliza cookies. Para maiores informações, acesse nossa Política de Cookies.