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Bom Dia Associado CIC: “Adequação à nova NR-1 vai exigir um processo permanente de gestão”

A promoção da saúde psicossocial nas organizações e os novos desafios impostos pela atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estiveram no centro das discussões de mais uma edição do Bom Dia Associado CIC, realizada na manhã de quarta-feira, 5 de agosto, na sede da CIC Garibaldi.

A convidada desta edição foi Daniela Gasperin, Doutora em Administração, Mestre em Saúde Coletiva e integrante do Núcleo de Estudos do Futuro, que apresentou a palestra “Saúde Psicossocial e NR-1 nas Organizações”. O encontro reuniu empresários, gestores e profissionais de diferentes segmentos para debater um tema que passa a integrar de forma definitiva a agenda estratégica das empresas.

Durante sua exposição, destacou que as recentes alterações promovidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego ampliam o alcance da NR-1 ao incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), exigindo das organizações uma abordagem estruturada para identificar, avaliar, controlar e monitorar situações que possam comprometer a saúde emocional dos trabalhadores.

Segundo Daniela, a saúde mental deixa de ser tratada apenas como um tema relacionado ao bem-estar e passa a integrar a gestão de riscos das empresas. “A norma determina que as organizações mapeiem fatores como excesso ou insuficiência de demandas de trabalho, qualidade das relações interpessoais, autonomia dos colaboradores, clareza das funções, reconhecimento profissional, suporte das lideranças e condições de comunicação, entre outros aspectos capazes de influenciar diretamente a saúde psicológica das equipes”, explicou.

Durante a apresentação, também foram abordadas situações que podem desencadear adoecimento ocupacional, como assédio de qualquer natureza, sobrecarga de trabalho, baixa autonomia, falta de reconhecimento, mudanças organizacionais mal conduzidas, conflitos nas relações de trabalho e isolamento profissional.

Outro ponto enfatizado foi que a adequação à NR-1 vai exigir um processo permanente de gestão, baseado em quatro etapas fundamentais: identificação dos riscos, avaliação técnica, implantação de medidas de controle e prevenção e monitoramento constante dos resultados.

“Esse trabalho deve estar integrado ao Programa de Gerenciamento de Riscos, utilizando metodologias cientificamente validadas para avaliação dos fatores psicossociais e subsidiando decisões baseadas em evidências”.

Estão previstas exceções na norma para MEIs e para microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas em atividades de grau de risco 1 e 2, que possuem regras diferenciadas quanto à elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos.

Na área jurídica, a palestrante chamou atenção para o fato de que a Constituição Federal assegura o direito à saúde e a um ambiente de trabalho seguro e digno. Além disso, destacou que a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) já reconhece, em determinadas situações, a síndrome de burnout como equiparada a acidente de trabalho quando comprovado o vínculo entre o adoecimento e as condições laborais, reforçando a importância de uma gestão preventiva e tecnicamente fundamentada dos riscos psicossociais.

Ao longo da palestra, Daniela reforçou que o cumprimento da NR-1 deve ser compreendido não apenas como uma obrigação legal, mas como uma oportunidade para fortalecer a cultura organizacional, melhorar o clima interno, ampliar o diálogo entre lideranças e equipes e construir ambientes de trabalho mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.

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