O cenário econômico brasileiro e as perspectivas para 2026 e 2027 diante das incertezas políticas nacionais e das turbulências e conflitos globais foram alguns dos temas analisados pelo economista Igor Morais na manhã de quarta-feira, 18 de março. Ele foi o convidado do Bom Dia Associado CIC e lançou um alerta para desafios estruturais do Brasil e do Rio Grande do Sul. “Eu espero que vocês não fiquem tristes com o que eu vou falar aqui, mas o ano de 2026 já acabou”, resumiu, lembrando que o ano reserva uma copa do mundo e eleições gerais.
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“Esse ano não tem muito o que fazer e 2027 vai ser um ano difícil. Por isso, a minha mensagem é: ‘segure as pontas’. A gente está num processo de desaceleração da economia brasileira. Eu estou torcendo para não virar recessão. Se de um lado eu acho que o governo que ganhar vai apresentar um projeto novo ainda esse ano, no final do ano, por outro eu tenho muito medo do que acontece entre outubro e dezembro”.
Na ocasião, o Ph.D. em Estatística Aplicada a Finanças e economista do Simecs destacou as profundas disparidades regionais e os desafios que o próximo presidente enfrentará a partir de 2027. A avaliação abordou problemas críticos como a diminuição da força de trabalho, a alta informalidade, a crescente dependência de benefícios sociais, a emigração de talentos, o envelhecimento populacional e o esvaziamento de cidades do interior gaúcho.
“Economicamente, o país enfrenta um recorde de inadimplência, disparidades inflacionárias e um setor industrial em declínio. É fundamental repensar estratégias diante de um Brasil diverso e em transformação, ameaçado também pela concorrência chinesa”, salientou.
Segundo ele, será necessário um plano de ajuste fiscal ainda em 2026, melhorando as expectativas do mercado financeiro. A recuperação na economia real, ou “chão de fábrica”, como definiu, somente terá reflexos a partir da metade do ano que vem.
“O Brasil vive em uma tensão central entre mercado de trabalho apertado e consumo fragilizado por inadimplência recorde, enquanto a demografia acelera o envelhecimento e amplia a heterogeneidade regional. A política fiscal e de juros deve mediar essa transição: queda de juros tende a aliviar crédito em meses, mas o peso crescente de benefícios sociais e emprego público sinaliza restrições e necessidade de foco estratégico além de 2026” argumentou.
Ele salientou que, há dez anos, para cada R$ 100,00 que o setor público gastava com funcionário, ele gastava R$ 80,00 com benefício social. Hoje, a cada R$ 100,00 que ele gasta com funcionário, ele gasta R$ 140,00 com benefício social. Se uma década atrás dizíamos que o problema era o funcionário público, esse fator se tornou pior pelo benefício social. O brasileiro ficou viciado em ganhar alguma coisa do governo”, afirmou.