O Brasil precisa reencontrar a capacidade de dialogar, construir consensos e trabalhar por objetivos comuns. Em um país marcado por profundas divisões políticas e ideológicas, a pacificação nacional deixou de ser apenas uma aspiração democrática para se tornar uma necessidade econômica e social.
Nenhuma nação consegue construir um projeto consistente de desenvolvimento quando suas energias são consumidas por disputas que pouco contribuem para melhorar a vida das pessoas.
As divergências fazem parte da democracia. São legítimas e necessárias. O que não podemos aceitar é que se transformem em obstáculos à construção de soluções para problemas que afetam todos os brasileiros. O desemprego, a insegurança, o custo de vida e as dificuldades enfrentadas por quem produz não escolhem preferências partidárias.
A economia não pode continuar refém da polarização. A atividade produtiva exige estabilidade, previsibilidade e confiança. Quem decide investir, ampliar uma empresa ou contratar profissionais precisa enxergar um horizonte que vá além das disputas políticas. É nesse cenário que precisamos recolocar o empreendedorismo no centro das prioridades nacionais.
O Brasil é um país de pessoas que trabalham, criam, inovam e assumem riscos. Entretanto, empreender tornou-se uma atividade frequentemente acompanhada por dificuldades que ultrapassam os desafios naturais dos negócios. A complexidade tributária, a burocracia excessiva, a insegurança jurídica e as constantes mudanças nas regras impõem custos que comprometem a competitividade e desestimulam investimentos.
O empreendedor não pode ser tratado como adversário do poder público, nem como fonte inesgotável de arrecadação. Da mesma forma, precisamos superar uma visão limitada do papel do Estado, frequentemente associado apenas à cobrança de impostos, à fiscalização e à imposição de exigências burocráticas. O Estado deve ser um indutor do desenvolvimento, e não um obstáculo a ser permanentemente superado.
Isso exige eficiência administrativa, responsabilidade fiscal e qualidade na aplicação dos recursos públicos. E a modernização tributária deve representar simplificação, transparência e previsibilidade, não apenas a substituição de antigas obrigações por novas incertezas.
Em Garibaldi, conhecemos o valor do trabalho, da iniciativa empreendedora e da cooperação. Nossa história demonstra que o desenvolvimento de uma comunidade resulta da capacidade de pessoas, empresas, entidades e instituições de transformar interesses comuns em realizações concretas.
Precisamos de instituições fortes, comprometidas com suas atribuições constitucionais, de governos capazes de dialogar e de políticas públicas orientadas pelo interesse coletivo.
A pacificação nacional não exige que todos pensem da mesma forma. Exige maturidade para reconhecer que nenhum projeto de desenvolvimento será duradouro se construído sobre a permanente divisão da sociedade. Uma nação só prospera quando a liberdade de empreender, a responsabilidade do Estado e a união da sociedade caminham na mesma direção.
Carlos Bianchi
Presidente CIC Garibaldi