O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) afirmou, em ata publicada nesta terça-feira, 11, que fatores como o aumento das incertezas geopolíticas, a baixa taxa de desemprego e as dúvidas sobre a condução da política monetária americana, combinados ao arrefecimento da demanda agregada, exigem cautela na condução da política monetária brasileira.
Na última quarta-feira, 5, o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic passou de 14,25% para 14% ao ano. No documento desta terça-feira, o Comitê afirma que o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e das dúvidas em relação à política monetária de algumas economias avançadas, como os Estados Unidos.
O Comitê aponta que as expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, permanecem acima da meta, em 5,0% e 4,2%, respectivamente. Já as projeções do Banco Central para a inflação acumulada em quatro trimestres em 2026, 2027 e no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, são de 5,1%, 3,8% e 3,2%, respectivamente.
A ata explica que a atividade econômica doméstica manteve uma trajetória de moderação. Segundo o Copom, os indicadores correntes apontam para uma desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda do produto agregado.
O Comitê afirma que um quadro fiscal mais sólido poderia melhorar as expectativas de inflação. Na avaliação do Banco Central, porém, o enfraquecimento do esforço de reformas estruturais e de disciplina fiscal pode dificultar a convergência da inflação para a meta.
Diante desses fatores, o Comitê afirma que o cenário atual, caracterizado por um aumento significativo da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário-base, exige serenidade e cautela na condução da política monetária.
Em suma, o Banco Central reconhece sinais de desaceleração da atividade econômica, mas reforça a necessidade de cautela na condução dos juros diante das incertezas externas, incluindo os conflitos no Oriente Médio e a trajetória da política monetária nos Estados Unidos. No cenário doméstico, a inflação ainda acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e as preocupações fiscais também podem limitar o espaço para novos cortes da Selic nas próximas reuniões.
Fonte: Veja