O governo federal arrecadou R$ 513 milhões com a exploração comercial de bets em junho de 2026, o maior valor mensal desde o início da regulamentação do mercado de apostas esportivas on-line no Brasil. O recorde foi registrado no mês em que o país disputou a Copa do Mundo.
Desde janeiro de 2024, quando começaram as regras de arrecadação previstas na lei que regulamentou as bets, as receitas somam R$ 6,64 bilhões. Nos primeiros meses de vigência da regulamentação, a arrecadação mensal era inferior a R$ 100 milhões.
Os dados também mostram que o governo arrecadou R$ 105 milhões com a taxa de fiscalização cobrada das empresas autorizadas a operar no mercado de apostas ao longo de 2025. As informações foram obtidas pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
As empresas de apostas (bets) registraram uma receita bruta (GGR) de R$ 37 bilhões no mercado regulado brasileiro ao longo de 2025, segundo dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Conforme o site Poder 360, o diretor de Operações da SOFTSWISS Sportsbook, Alexander Kamenetsky, previa que a atividade global de apostas deveria crescer mais de 50% em 2026 em relação ao Mundial de 2022, podendo chegar a US$ 60 bilhões. “O Brasil sozinho poderia responder por cerca de 10% do volume global de apostas na Copa do Mundo em 2026”, declarou. Ou seja, a estimativa é de que os brasileiros enviaram R$ 31 bi para casas de apostas durante a Copa, quase o mesmo valor apostado durante todo o ano passado.
Impactos socioeconômicos
Em entrevista à CNN Brasil, o sociólogo e professor aposentado da USP, José Pastore, afirmou que as apostas devem ser classificadas como uma “pandemia” e representam um desafio sem precedentes para o Brasil.
Porém, “diferentemente de outras pandemias, não há uma ‘vacina’ eficaz para conter o avanço das apostas online. É uma pandemia que está muito difícil de ser controlada”, alertou o sociólogo, ressaltando a ineficácia prática de muitas regras já aprovadas.
O sociólogo também chamou atenção para o impacto devastador nas famílias, principalmente as de renda mais baixa. Citou o exemplo de um jovem que estava consumindo o dinheiro da família em apostas diárias no “Jogo do Tigrinho”, ilustrando a compulsividade e dependência geradas por essas atividades.
Pastore enfatizou que a proliferação das apostas agrava a pobreza e acentua a desigualdade social. “Essa que é a questão importante. E quais são essas famílias? Principalmente as famílias de renda mais baixa”, explicou. E insistiu na necessidade de ação devido aos efeitos nocivos sobre as famílias.