Os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo para pessoas físicas subiram para 435,88% ao ano em fevereiro. A informação foi divulgada pelo Banco Central na segunda-feira, 30 de março.
De acordo com o relatório, a taxa de inadimplência nessa modalidade somou 63,5% no período. Esse aumento ocorre em meio ao atual patamar da taxa de juros no Brasil, que permanece em dois dígitos, a 14,75% ao ano.
Mesmo com um recuo da taxa previsto para este ano, economistas indicam que o Copom deve adotar uma posição mais conservadora em suas decisões, algo que a própria ata do último encontro já indicou.
O crédito rotativo do cartão é acionado quando o cliente não consegue pagar o valor integral da fatura na data do vencimento. No início do ano, cerca de 40 milhões de brasileiros estavam endividados com o rotativo. Com os juros altos, as pessoas enfrentam mais dificuldades para pagar seus compromissos, o que contribui para que 80% das famílias brasileiras atualmente tenham algum tipo de dívida.
Uma das razões apontadas pelo Banco Central para isso é que, dos 101 milhões de brasileiros que usam cartão de crédito, muitos utilizam linhas de crédito emergenciais, como os rotativos, como se fossem parte de sua renda.
Em janeiro de 2024, o Congresso até decidiu limitar o endividamento por crédito rotativo. Segundo a determinação, a dívida do rotativo não poderia ultrapassar o valor da dívida original. Só que a medida não trouxe resultados significativos.
Hoje, 63% dos brasileiros que possuem dívida nesta categoria estão inadimplentes, ou seja, não conseguiram arcar com os custos até a data de vencimento.
Fonte: CNN Money