O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu na quarta-feira, 18 de março, cortar a Selic, taxa básica de juro, em 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano, em sua segunda reunião de 2026. Esta foi a primeira diminuição da Selic desde maio de 2024, ou seja, em quase dois anos.
Na reunião anterior, de janeiro, o Copom já havia indicado que começaria a diminuir os juros neste encontro. A aposta até pouco tempo majoritária, de corte de 0,50% na Selic, perdeu espaço e os investidores passaram a ver uma redução de 0,25%.
A Selic estava em 15% ao ano desde junho de 2025. O período de estabilidade ocorreu depois de o BC aumentar a taxa em 4,50 pontos a partir de setembro de 2024. Esse foi o segundo maior ciclo de alta dos juros nos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
Em comunicado, o Copom defendeu serenidade e cautela para os passos futuros do processo de calibração dos juros básicos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a medida como correta, mas insuficiente. O o presidente Ricardo Alban afirmou que a diminuição ainda não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento.
“A inflação está em franca desaceleração e as expectativas de mercado para a alta dos preços seguem dentro do intervalo de tolerância da meta. Isso, por si só, já justificaria queda mais acentuada da taxa básica de juros. Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando ainda mais nossa economia”, argumentou o dirigente.
Apesar do corte na Selic, o Brasil continua como o 2º no ranking de maiores juros reais do mundo. Não à toa, o PIB cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE, abaixo dos 3,4% registrados em 2024 e o resultado mais fraco desde a recessão provocada pela pandemia em 2020. O consumo das famílias perdeu fôlego, passando de expansão de 5,1% em 2024 para apenas 1,3% em 2025. Já os investimentos desaceleraram de 6,9% para 2,9% no mesmo período.