O número de empresas em recuperação judicial no Brasil bateu recorde em 2025 e acendeu um alerta para 2026, com 5,6 mil companhias em processo de reestruturação – uma alta de 24,3% em relação ao fim de 2024. Apenas no ano passado, 1,6 mil empresas recorreram à Justiça para tentar sobreviver, enquanto apenas 561 conseguiram sair do processo.

Os dados levantados pelo jornal Valor Econômico, publicados no início de fevereiro, mostram que o ritmo de pedidos acelerou no fim do ano, com 510 empresas entrando em recuperação judicial no último trimestre de 2025. Esse volume foi 7,5% maior que o registrado no período anterior e é o maior já observado na série histórica.
Entre os principais motivos, segundo especialistas ouvidos pela apuração, está a taxa básica de juros elevada a 15% há cinco reuniões consecutivas do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que encarece dívidas e sufoca o caixa das empresas.
O levantamento aponta também que houve uma disparada no endividamento das empresas em crise no período analisado. As 510 companhias que pediram recuperação no último trimestre declararam dívidas de R$ 40 bilhões, mais que o dobro dos R$ 16 bilhões registrados no trimestre anterior.

Por Estado, São Paulo lidera no total de empresas que estão em recuperação judicial. O Rio Grande do Sul vem na sequência: somou 507 no fim de 2025. O crescimento foi de 22,5% ante 2024.
