O Rio Grande do Sul foi o estado da Região Sul com o maior número afastamentos por saúde mental em 2025. Dados do Ministério da Previdência Social, divulgados pelo G1, mostram que o número de licenças alcançou 46.738 pessoas no ano passado.
Quando os dados são analisados proporcionalmente à população, o RS aparece entre as unidades da federação com as maiores taxas de afastamento por transtornos mentais por 100 mil habitantes, superando estados mais populosos. Especialistas dizem que as enchentes de 2023 e 2024 podem ter contribuído para o índice.
Conforme os dados divulgados, o Brasil bateu, pela segunda vez, o recorde com o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais em uma década: mais de meio milhão de licenças foram concedidas, cerca de 12,5% do total de licenças concedidas no período. Em 2025, os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e, somados, já formam o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, atrás apenas das doenças da coluna.
Mas, se a dor física sempre esteve ocupando os maiores índices na lista, desde o ano passado, o mercado de trabalho vem enfrentando uma nova realidade: os transtornos mentais vêm aparecendo no topo entre as causas de afastamento.
A ansiedade levou a 166.489 afastamentos e a depressão a 126.608. Se somadas as doenças de saúde mental, elas já ultrapassam causas que sempre foram comuns de afastamento, como fratura de tornozelo.
NR-1
No ano passado, o governo anunciou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as diretrizes de saúde no ambiente de trabalho e passará a ser fiscalizada a partir de maio deste ano. Com a atualização, passa a contemplar também os riscos psicossociais. O MTE vai fiscalizar as empresas, podendo inclusive aplicar multas caso encontre trabalhadores que estão passando por situações que incluem metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia e condições precárias de trabalho.