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12/24/2019

2020: O foco sai da Previdência e vai para o crescimento

O foco do debate econômico em 2019 esteve, por muitos meses, na discussão sobre a reforma da Previdência. A realização da reforma é o sinal de que o Brasil buscará resolver o problema do déficit fiscal da maneira correta, sem rupturas com a estabilidade econômica. Passado o capítulo da Previdência, acreditamos que, a partir de 2020, o caminho para a retomada do crescimento estará mais desobstruído.
As perspectivas para a economia em 2020 apontam na direção da aceleração do crescimento. Esperamos que o PIB passe de um avanço de 1,1%, em 2019, para cerca de 2,0%, em 2020. A mudança para um modelo de crescimento com maior participação do Consumo Privado tem um custo de adaptação, que está sendo pago na forma de uma recuperação lenta entre 2017 e 2019, mas deve ser o principal componente a acelerar a atividade em 2020. Assim, podemos elencar diversos fatores que devem intensificar o consumo interno. Em primeiro lugar, a maior geração de empregos e leve queda no desemprego tende a gerar ganhos de renda real.
A situação econômico-financeira das famílias estará mais positiva. A taxa de inflação baixa contribui para que o aumento da renda se traduza em aumento de poder de compra dos consumidores. A taxa básica de juros no menor patamar histórico, e que deve permanecer baixa por todo o ano de 2020, pode representar aumento da oferta de crédito e redução nos custos de financiamento para os consumidores.
Além disso, a indústria da Construção Civil é o componente dos investimentos mais defasado em termos de recuperação da crise. Apenas no segundo trimestre de 2019 as quedas foram interrompidas, após 20 trimestres de retração. Dessa forma, o ano de 2020 deve contar com uma maior contribuição dos investimentos e a retomada desse setor importante para diversos segmentos da indústria de Transformação e para geração de empregos.
Por fim, em que pese o cenário seja positivo para os próximos anos, o País não pode desviar do caminho das reformas, da modernização do Estado e da melhora no ambiente de negócios. No longo prazo, o crescimento econômico está diretamente atrelado à produtividade e nesse campo ainda temos um grande desafio no que diz respeito à qualificação dos trabalhadores.
Dr. André Nunes de Nunes
Economista da Fiergs

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